A CADA dia há mais gente correndo
nas ruas, nos parques e mesmo na esteira. Basta comparar o número de provas que
hoje fazem parte do calendário das grandes cidades com o número de eventos que
ocorriam há dois ou três anos. Apesar do aumento progressivo dos praticantes de
corrida de rua, o número de atletas amadores que contam com orientação
profissional especializada é pouco representativo. Isso porque muitos acreditam
que para correr bastam um tênis e vontade. Mas como qualquer outra atividade
esportiva, a corrida tem sua técnica. E o conhecimento dela está, obviamente,
na mão dos especialistas. Assim como na hora de reformar sua casa, você não sai
levantando parede para não arriscar que ela caia na sua cabeça; na hora de
correr, o risco é o mesmo.
Ou seja: o corredor ainda é, em
sua maioria, “audidata”, o que em muitos casos pode trazer problemas. Não
raro, recorrer ao acompanhamento de um preparador técnico ainda parece, para
muitos, um luxo – pelo menos à primeira vista. A brasiliense Isabella Moreira
Fontenele Gusmão, de 40 anos, discorda desse ponto de vista. Em sua
opinião, a orientação especializada é básica para quem quer ter uma vida mais
saudável. “Não perdi tempo e fui logo buscando um treinador, comecei a correr
no início de 2010 e pouco tempo depois já tinha escolhido uma assessoria
esportiva”, conta. Ela está convencida de que a orientação profissional
racionaliza o treinamento, ajuda o corredor a traçar objetivos e estratégias,
além de reduzir o risco de lesões. “Treinar com metas me levou a
completar muito bem minha primeira meia maratona em agosto deste ano”, conta. E
ela já pensa em enfrentar uma maratona em outubro.
ESTÍMULO
Eduardo Pedra, de outro corredor
de Brasília, de 34 anos, ressalta que um dos pontos positivos de pertencer a
uma equipe são a motivação e os treinos diferenciados. “Fazer parte de um grupo
é bem mais estimulante; quando eu treinava sem orientação tinha um percurso
padrão e muitas vezes essa mesmice era desanimadora.” Outro ponto que chamou a
atenção de Eduardo, depois que ele passou a contar com treinos acompanhados por
profissionais, foi a evolução de seu desempenho. “Completei minha primeira meia
maratona em 2h30min; este ano fiz em 1h43min”, comemora. “Antes meus treinos me
cansavam com muita facilidade e hoje já não é assim.”
Depois de um ano treinando
sozinha, Luana Fleury (foto acima), de 35 anos, também resolveu buscar um
treinador para chamar de seu. “Constatei que sozinha não estava conseguindo
melhorar, corria apenas para queimar calorias, respeitando os limites do meu
corpo e reduzindo o risco de lesões.” A orientação foi fundamental para a
melhora de seu desempenho e para que se preparar para provas mais desafiadoras.
Para ela, a principal diferença entre quem prioriza ou não a ajuda profissional
está na forma como se vê a corrida: uma atividade aeróbica para queimar
calorias ou um esporte. “Quem encara a corrida como esporte entende que existem
técnicas, atividades e estímulos específicos que serão determinantes para o
desempenho. Com o acompanhamento de um (bom) treinador colocamos em prática
essas atividades de acordo com nossos objetivos no esporte e adaptados às
características e limites de cada um. Isso muda tudo!”
A consequência mais imediata da
“autossuficiência crônica” dos corredores – que atinge não apenas iniciantes,
mas também maratonistas e até ultramaratonistas – é perceptível nos gráficos de
lesões entre corredores amadores, que só aumentam. A paulistana Débora Silva e
Santos, de 40 anos, engrossa o coro daqueles que alertam para os riscos do
autodidatismo. “O treinamento sem orientação não traz progresso e pode
realmente causar algum problema físico lesão, fazendo com que a pessoa acabe se
afastando do esporte.” Corredora desde 2008, Débora buscou na corrida o ponto
de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. No início, ela não contava com
ajuda especializada. “Foi em 2010 que procurei um profissional com experiência
especifica em corrida, pois entendo que se trata de um esporte simples, mas ao
mesmo tempo diferenciado, que precisa de treinamento especifico, não só para
obtenção de bons resultados, mas principalmente para que a minha vida de
corredora seja longa e sem lesões.”
Wagner de Napoli, de 34 anos,
também de São Paulo, passou dois anos correndo “por conta própria”. Mas no
início deste ano resolveu buscar ajuda. “A principal diferença é que sem
treinador muitas vezes corremos por correr e ficamos perdidos, sem ver melhoria
no rendimento. Com o treinador, passamos a ter metas e um planejamento a ser
cumprido. Antes eu não conseguia ter motivação e não baixava meus tempos nas
corridas, agora tenho comprometimento maior e venho conseguindo baixar meus
tempos.”
E VOCÊ, AINDA VAI QUERER CORRER
SEM UMA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL?
Fonte:http://www.jornalcorrida.com.br/runbrasil/2014/09/um-treinador-para-chamar-de-seu
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