Caro amigo corredor, venho por meio deste artigo mostrar que a corrida não é simplesmente colocar um par de tênis e sair correndo como muitos pensam, existe um mar de ciências envolvidas. Vem com a gente descobrir...
Especialistas descrevem as ciências envolvidas na
corrida e explicam a diferença entre
correr e simplesmente “sair correndo”.
Versátil, dinâmica, desafiadora, emocionante e muitos outros adjetivos podem ser aplicados à prática de
corrida. O esporte tem conquistado cada vez mais adeptos, embora nem todos os
corredores
procurem a orientação profissional adequada para dar início à prática
da atividade física, podendo colocar a saúde em risco. Além disso, sem
técnica, a pessoa não
corre, mas “sai
correndo”, como brincam os especialistas.
O técnico
DPACE, Fabiano Pezzi, gestor da assessoria esportiva
Go Runners, de Natal (RN), conta que percebe que as pessoas mais saem
correndo o que correm, “pois
correr
com planejamento bem estabelecido requer trabalho e nem todos estão
dispostos a isso”. Ele explica que, em muitos casos, o ato de sair
correndo se dá pela falta de condições de investir na orientação de um profissional qualificado e a grande diferença entre
correr e sair correndo se dá pela qualificação e paciência do orientador, já que “o
treinamento engloba algumas variáveis que poucos se aprofundam: análise do movimento, fortalecimento muscular, métodos de
treino de corrida, flexibilidade e o principal no meu cotidiano, a psicologia”.
Correr não é sair correndo
Luiz Fernando Bernardi é técnico responsável pela assessoria esportiva
Find Yourself e também do Palmeiras, ambos na capital paulista, e conta que atualmente há cinco milhões de pessoas praticando a
corrida no Brasil. Muita gente se sente apta a
correr e pensa que é autossuficiente para praticar a atividade física e, por isso, “saem correndo”. “
Correr
significa buscar um hobby ou uma atividade física orientada. Sair
correndo é não ter orientação”, explica. Ele conta ainda que as pessoas
saem
correndo atrás de ônibus ou fugindo de cão bravo,
porque pra ter objetivo, precisa de critério e orientação. Por ser algo
natural do ser humano, as pessoas muitas vezes esquecem que é preciso
aprender a
correr corretamente, com equilíbrio, postura e respiração adequadas, coisa que apenas um profissional habilitado é capaz de ensinar.
Christiano Marques é treinador
DPACE e sócio-proprietário da
Markes Running+ e diz que as pessoas estão mais preocupadas em se cuidar e
correr da forma correta, mas o “sair correndo” ainda está à frente do “
correr”.
“É preciso saber que existe uma técnica envolvida, posicionamento da
postura em geral, respiração, mas é importante destacar que uma pessoa
que colocou um short, preparou a playlist e até mesmo o frequencímetro e
não se preocupou em fazer um aquecimento, se preparar para aquele
treino ou prova, também vai sair correndo e não
correr”, salienta.
Pezzi
conta que solicita três cuidados iniciais aos seus clientes: respiração
sob controle, variável que um relógio frequencímetro pode auxiliar,
olhos pra frente ao invés de para o chão e braços ao lado do corpo e não
cruzado sobre o tronco. “A partir destes, e não distantes ou menos
importantes, obviamente é que me preocuparei com joelhos e tornozelos.
Se a pessoa perceber esses três itens, pode mensurar se está correndo ou
se sai correndo.”
É científico
São muitas as ciências envolvidas num
treinamento de corrida. Podemos citar:
- Treinamento desportivo: que são os princípios para a aplicação de um treinamento para o aluno;
- Fisiologia do exercício: para entender o organismo do praticante e as respostas que ela vai ter com a atividade física;
- Ciência do esporte: como a corrida se desenvolveu e seus benefícios;
- Marketing esportivo: pro profissional poder divulgar o seu trabalho e o resultado dos seus alunos;
- Biomecânica e cinesiologia;
- Psicologia, entre outras.
“Lidar diariamente com os desejos e sonhos, muitas vezes fora do
real e do seguro, requer muito da percepção do profissional em relação
ao comportamento dos clientes. O profissional deve ser o ‘eco’ do
cliente de forma a preservá-lo das lesões e, ao mesmo tempo, não
desanimá-lo com as ‘privações’. Não é fácil, mas é desafiador”, explica
Pezzi. Bernardi concorda e destaca que o aluno leva para a prática os
seus sentimentos: “só de olhar ele
correndo a gente sabe se está feliz ou não, se é brincalhão, competitivo. O que a gente passa acaba refletindo no exercício”.
Fonte: Portal da Educação Física.